Wednesday, December 5, 2007

Luz vs Camp Nou

A alguns dias passados do Benfica-Porto e a mais alguns do Barcelona-Recreativo de Huelva dou por mim a precisar de escrever algo senão explodo! O que se vai passar nas próximas linhas é caso raro neste blogue e portanto se esta minha tentativa de escrever sobre bola vos parecer um pouco absurda e totalmente patética tomem a liberdade de me considerar completamente avariada da cabeça!

Luz vs Camp Nou - 2007

Para começar, e para os menos atentos, o Barcelona ganhou por 3 e o Benfica perdeu por 1. Ambos os estádios tinham casa praticamente cheia apesar da importância dos jogos não ser comparável. Em Camp Nou o ambiente estava calmo em redor do estádio enquanto na Luz se ouviam cânticos e se sentia no ar o calor dos grandes jogos. Dentro do estádio predominava o vermelho e branco alegremente estampado nos cachecóis, nas t-shirts, nas bandeiras e nalgumas faixas que, felizmente, ainda teimam em aparecer. Já em Camp Nou era uma salganhada de amarelos, azuis, vermelhos, laranjas, brancos – acho que não me falta mais nenhuma côr – que tinham tudo para impor alguma alegria ao estádio mas ficaram aquém das expectativas. Pelo menos das minhas.
A entrada do Benfica foi feita ao som das vozes dos adeptos em “Ser Benfiquista”. O estádio vestiu-se de cartolinas vermelhas e brancas e as claques juntaram às vozes e à Luz (estádio) uma outra luz proporcionada por dezenas de tochas que lançadas para o relvado resultaram num efeito espectacular o qual, infelizmente, ainda não é compreendido por todos. E logo na Luz, o estádio do mundo em que isto faz mais sentido!
Quando a coreografia terminou fizeram-se bolas de papel com as cartolinas, que foram lançadas um pouco por todo o estádio e a águia fez, mais uma vez, o seu voo. Em Barcelona viu-se um 2 em 1. Os jornais distribuídos à entrada foram transformados em aviões e, por sua vez, os aviões voaram ora para o relvado ora para a cabeça de alguém. Ainda me acertaram com um, e ainda bem, não me sentiria completa se abandonasse o estádio sem ter levado com, pelo menos, um destes objectos voadores das centenas deles que sobrevoaram o relvado do Camp Nou nessa noite.

Luz vs Camp Nou - 2007

Nos dois jogos a emoção foi claramente diferente. Se por um lado, em Camp Nou, os adeptos pareciam apáticos durante todo o jogo com excepção dos momentos de golo, do senhor com o nome “Henry” estampado nas costas da t-shirt, e de um outro mais refilão, por outro, a Luz tem uma personalidade diferente. Mais inquieta e barulhenta. Numas vezes feita de adeptos que apoiam com cânticos e palmas, noutras feita de adeptos que criticam, dão palpites e resmungam e ainda noutras feita de adeptos que cantam e criticam os que criticam e resmungam. Faz tudo parte da paixão que se sente no ar.

Luz vs Camp Nou - 2007

O Barcelona ganhou por 3 e os adeptos saíram de Camp Nou transportando a mesma apatia.
O Benfica perdeu por 1 e os adeptos saíram da Luz a criticar os jogadores escolhidos, a dar palpites sobre a forma como os cantos deviam ser marcados e a resmungar pela falta de amor à camisola e 3 dias depois, sentados frente à televisão, perdoaram e esqueceram todos os erros e torceram para que o Benfica marcasse o golo que o pusesse na UEFA. Porque amar é mesmo isso…

Friday, November 30, 2007

E se de repente te oferecessem um mundo?

Tens alguns minutos para ouvires uma história?
É uma história simples que fala de coisas simples.


23 de Novembro de 2006, quinta-feira

Estou em casa, sentada em frente ao computador. Olho o livro que tenho à frente para ler mas troco-o por um zapping às páginas da internet que tenho guardadas nos favoritos. Numa tentativa de terminar com este processo de autodestruição levanto-me para fazer um café, fumar um cigarro e terminar com esta apatia em que me sinto. Por escassos segundos sinto uma onda de energia atravessar o meu corpo. Penso nos meus pinceis e na tela que tenho encostada à parede, por pintar. Tenho ainda tempo para imaginar o desenho, escolher as cores e encher de água o recipiente que vai servir para limpar esses amigos de madeira no fim do nosso trabalho.
E depois, da mesma forma que apareceu, desapareceu. Volto a sentar-me em frente ao computador. Sinto-me angustiada com a situação no trabalho, nos estudos e com o facto de não me apetecer ler um livro, pintar uma tela, ir a um teatro. De repente é como se me tivessem roubado a vontade e sinto as minhas células a morrerem, uma por uma, asfixiadas por esta inércia... Tento lutar contra isso mas não consigo. De repente, nada na vida me parece preencher, nada me parece entusiasmar, todos os dias são iguais e nem tenho força, ou vontade, de imaginar um futuro diferente deste.
.
Barcelona - Spain (2007)

23 de Novembro de 2007, sexta-feira

Estou a sair do trabalho. Entro no carro e conduzo até à avenida Almirante Gago Coutinho. Estaciono-o, pego na mala, acendo um cigarro e caminho até à zona das partidas do aeroporto de Lisboa. Páro na tabacaria para comprar o jornal e leio-o, sentada no café, enquanto espero que no painel se assinale a minha porta de embarque. Estou ansiosa. É a primeira vez que viajo de avião sozinha e quero guardar cada nova sensação para recordar no futuro. No avião não consigo dormir, a vontade de chegar é muita e os espanhóis que conversam ao meu lado não dão tréguas. Mas está a correr tudo bem e consigo até espreitar pela janela e ver as cidades iluminadas lá em baixo como se fossem gigantes circuitos eléctricos. Quando piso terra, o P. espera-me com um papel onde vem escrito o meu nome e a seguinte mensagem "Bienvinguda a Barcelona". Rimos. Só no dia seguinte, ao acordar, consigo aperceber-me da importância deste momento. Desta vez Barcelona não é uma cidade para onde viajo em férias mas uma cidade onde vou viver, mesmo que só por um fim de semana.

Barcelona - Spain (2007)

23 de Novembro de 2008, domingo

Pego na bicicleta e vou dar uma volta a Belém, junto ao rio. Está frio mas não chove e acabo de ler o décimo primeiro livro deste ano. Quando chego a casa tomo um banho que me aquece o corpo e começo a preparar o jantar para dois. Chegas a tempo de corrigir todos os meus erros culinários enquanto falamos do bailado que eu insisti para irmos ver no dia anterior. Durante o jantar recordas-me que em tempos foste um grande bailarino mas que infelizmente, devido a uma lesão nos pés, foste afastado dos grandes palcos mundiais e das luzes da ribalta que te estavam destinadas à nascença. Rimos como duas crianças enquanto nos dirigimos para a sala. Acendes a televisão e eu preparo os pinceis para guardarmos na tela a paz deste dia.

Barcelona - Spain (2007)

Thursday, November 22, 2007

Arte todos os dias...

Este sábado volta a repetir-se na Fundição de Oeiras o Festival de Hip Hop.
Graffitis, dança e música num espaço simples, onde nos sentimos bem.
O ano passado foi assim...
Oeiras - Portugal (2007)

Friday, November 9, 2007

Dias estranhos

Eram 9h20 quando, parada no trânsito, escutava na rádio Morrissey em "You have killed me". Tirei por instantes os olhos do livro, que esta semana fez das horas parada no trânsito horas boas, e fechei-os. Em poucos segundos viajei ao passado para perceber que sem ele hoje o carro da mana não teria um pneu furado, eu não a teria levado ao trabalho, não estaria parada na A5 a esta hora, não ouviria Morrissey na rádio e, mesmo que tudo isto sucedesse, esta música não surtiria em mim qualquer efeito.

Fica convosco Morrissey e "You have killed me", em tom de homenagem a todos os passados que permitem futuros melhores:


"As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

And there is no point saying this again
There is no point saying this again
But I forgive you, I forgive you
Always I do forgive you"
Belém - Portugal (2007)

Monday, October 8, 2007

SOUTO: Fim de semana junto ao rio

Há sítios que nos preenchem só pelo facto de lá estarmos. O Souto é um deles. Mas vamos começar pelo início. Uma colega de trabalho convidou-me para um fim de semana no Algarve. Outras colegas convidaram-me para uns dias em Santiago de Compostela. A amiga da dança para um fim de semana no rio e com festa incluída. Não foi complicado escolher. Muitos dias era impossível, o Algarve já conheço e festa é festa! Assim, a aventura começou à saída dos treinos, quando percebemos que o carro da V. não nos ía levar longe. Solução: levar o meu, ficar sem bailarico é que não! Era preciso jantar primeiro e, quando se quer demorar pouco tempo e não gastar muito dinheiro, o Mac é um suposto amigo. Mas desta vez acho que estava chateado e nem fanta nem marines. Para compensar deu-nos um cão em plástico que faz au-au-au, pisca e é cor de laranja! Entretanto já arranjei mais um. Amarelo. Para lhe fazer companhia. Depois de jantadas passámos à operação complicada de passar todas as malas-de-gaja e tralhas-de-gaja e afins de um carro para o outro. A V. foi pôr as chaves do carro à caixa do correio a uns 200m, a correr, para não perdermos mais tempo. Voltou a correr para o meu carro, outros 200m. Depois perguntou-me “I. tranquei o carro?”. Claro que não. Toda a gente conhece aquele ditado do “quanto mais depressa mais devagar”, certo?! Mais 200m a correr para ir buscar as chaves. Bom, para as levar de novo ao correio dei-lhe boleia! E prontos, 600m de corrida mais as flexões, os abdominais e todos os exercícios de condição física parecem-me castigo suficiente por não ter o carro dela em condições de se fazer à estrada! Depois de termos feito o N. esperar meia hora na bomba da 2ªcircular, lá seguimos viagem rumo ao Souto: essa bela localidade!
Souto - Portugal (2007)

Quando lá chegámos eram 1h30 e depois de voltarmos a passar as malas, desta vez do carro para casa, passámos pelo café Mourisco (http://www.mourisco-cafe.com/) e depois Bailarico! Bioucas é o nome da localidade que estava festa. Um local onde algumas flores “nascem” no alcatrão. Há provas!


Bioucas - Portugal (2007)

A festa estava animada. Quer dizer, a festa estava pobre, o pessoal-com-uns-copos-a-mais é que estava animado! Eu, a V. e a A. (que neste momento se juntava a nós) também queriamos animação e portanto, a A. pagou a primeira rodada. Quando fui pagar a segunda deram-me uma senha para água: “É igual!”. Sinceramente não me lembro de ter pago mais nada o resto da noite. É um dado curioso destas festas. Todos pagamos cervejas a todos, sobram sempre senhas e no fim acaba por faltar cerveja. Ainda consegui manter uma conversa sóbria com o V. sobre o seu curso e o trabalho que faz com crianças num bairro pobre aqui para os lados de Lisboa. Quando falei com o Sr. Agente da Autoridade sobre o seu trabalho de acompanhamento a claques não garanto que estivesse completamente sóbria, mas tenho a certeza que lhe falei de um ponto de vista diferente daquele que ele conhece. Bom, também não garanto que ele estivesse em condições de o entender. Ficou a tentativa. Algumas cervejas depois, a coisa começa a complicar-se e, se somos mulheres, a complicação é a dobrar. Precisávamos urgentemente de um WC. Vi um camião parado junto à estrada e citando a V. no dia em que vimos José Cid nas festas da minha zona disse-lhe: “Uma roda para cada?”. Desatámos a rir e fomos à procura de um sítio melhor. Eu encontrei o local indicado. A V. teve medo dos bichos que nos podiam subir pelas pernas acima às 6 da manhã! Eram então horas de deixar a festa e regressar a casa. A vontade de aproveitar tudo ao máximo era tanta que mesmo cansadas ainda houve conversa até às 7 da manhã. O dia seguinte era para conhecer o rio!

Souto - Portugal (2007)

Acordámos eram 12h30. Ora, quem me conhece sabe perfeitamente que falar comigo de manhã, quando ainda estou deitada e sem ter tomado banho e comido o pequeno almoço é lixado. Sujeita-se seriamente a ouvir uma resposta mais torta. Mas a V., depois de me ter perguntado se dormi bem diz-me: “já sei onde vamos jantar logo: a Abrantes. E já sei o que vamos comer: Pizza”. Prontos! Como é que alguém pode ficar de mau humor só de pensar que vai jantar pizza nesse dia?! Impossível! Enquanto preparávamos a salada russa para o almoço, recebi uma sms do P. Aliás, duas. Não estava à espera. Sorri, com aquele ar patético de quem recebe algo que não estava à espera e sentia falta. A salada ficou com ervilhas a mais e quando nos sentámos para almoçar batem à porta. Era o Sr. Vasquinho Jorge. Amigo da família da V. Uma pessoa de quem se gosta logo porque se gosta e pronto. Pagou-nos um café no Mourisco e depois de convidarmos o Z. e a S. para virem connosco acabámos por descer até ao rio as duas. A sensação é extraordinária! Ouviam-se vozes ao longe, de quem brinca nas margens e depois mergulha no rio e houveram momentos em que o único som era o da água a bater nas pedras que compõem a margem.

Souto - Portugal (2007)

Trouxe algumas dessas pedras, não muitas, porque a subida para casa ia ser cansativa só por si. Decidimos ir tentar o mergulho também, mas os lagostins que apareciam debaixo das pedras dificultaram um pouco a coisa. Os peixes que apareceram entretanto, também não ajudaram. Devem fazer todos parte de algum gang contra humanos no rio, só pode!


Souto - Portugal (2007)

2 horas depois... lembrei-me do G. e disse: ”sem medo!”. Atirei-me sozinha. A V. foi ajudada pelo F. e Z. que entretanto chegavam. Na operação de entrar no rio o F. ajudou o Z. a magoar o pé e este passou o resto do fim de semana a queixar-se numa tentativa de incutir algum peso na consciência do primeiro. Penso que não resultou.

Souto - Portugal (2007)

Subimos do rio até casa à boleia do carro do F. e depois do banho tomado arrancámos em direcção a Abrantes onde nos esperava uma bela pizza no restaurante A Lareira. Ou seria A Lenha? Não, A Telha. Penso que é A Telha. V. ajuda aí!! Pedi uma pizza como gosto, com ovo cozido. A empregada trouxe duas. Uma como gosto para mim e outra igual, como a V. NÃO gosta, para ela. Durante a complicada e morosa operação de tentar tirar todos os bocadinhos de ovo cozidos da pizza, a empregada ainda veio perguntar à V.:
- Tu vê lá, queres que te mande fazer outra pizza?
- Não, obrigada, deixe estar.
- Mas é que se queres a gente faz!
Não foi preciso, a V. desenrascou-se mesmo assim. Esperar uma eternidade por outra pizza que possivelmente viria trocada também e ainda ter que assistir, enquanto esperávamos, ao fraquissímo jogo da selecção que a televisão passava, pareceu-lhe um sacríficio bem maior!

Abrantes - Portugal (2007)

De volta à festa, encontrámos o P., um adepto do mesmo clube que eu. Dias mais tarde acompanhar-nos-ia a um concerto de José Cid no casino. Ficou fã. Por entre conversas com um rapaz que está a fazer erasmus em Itália, o sr. Fona ia ganhando um e outro loto. Nas festas para estes lados é usual, no intervalo do conjunto que toca no palco, fazer um jogo de loto. Chegámos à conclusão que nas próximas festas das duas uma, ou jogamos a meias com o sr. Fona, ou então só compramos loto se o sr. Fona não o comprar, caso contrário é perder dinheiro na certa!

Bioucas - Portugal (2007)

Desta vez fiquei-me pela garrafa de água. Deram-me uma senha de cerveja. Olhei para o senhor e com ar de quem já sabia disse-lhe: “É igual!”. A festa terminou em grande, com 3 ou 4 músicas de Xutos e nós fomos dormir por volta das 5 da manhã. Depois de conversarmos mais um pouco, claro. Eram 13h30 quando acordámos. O almoço foi a salada russa que tinha sobrado do dia anterior e enquando almoçavamos batem à porta. Era o Sr. Vasquinho Jorge. Pensei cá para mim, de cada vez que almoçar salada russa há uma elevada probabilidade do sr. Vasquinho Jorge aparecer! O Benfica ganhava em futsal enquanto bebíamos o café no mourisco e nos despedíamos do pessoal que tinha partilhado um pouco deste nosso fim de semana no Souto. Ah, entretanto já tenho três amigos que fazem au-au-au. O laranja, o amarelo e o amiguinho mais novo, azul. Levo-os a passear de carro todos os dias!

Saturday, September 29, 2007

DIEZ
Foi díficil deixar Barcelona. Não por o caminho ser díficil ou o trânsito estar complicado, mas porque é sempre díficil deixar um sítio que gostamos sem saber quando lá voltamos de novo. Afinal, e se tudo correr bem, Barcelona está apenas a 8 semanas e poucas horas de mim! O J. antecipou-se e por esta altura deve estar a passear-se pelas Ramblas ou a descansar numa sombra do Parque Güell. Boa viagem amigo!
Devaneios à parte que é preciso terminar primeiro esta nossa volta a Espanha junto à costa. Subimos, junto ao mar, em direcção à fronteira com França porque um dos objectivos era passear na cidade que tem o castelo dos meus sonhos: Carcassonne. Depois de parármos a meio do caminho, para um banho no mediterrâneo, cruzámos a fronteira e poucas horas depois estávamos no ambiente medieval que esta cidade oferece.

Carcassonne - France (2007)
Foi a segunda vez que visitei Carcassonne. Da primeira, era manhã cedo quando entrei no castelo. Algumas lojas estavam ainda a abrir, os empregados dos cafés ainda arrumavam as esplanadas, distribuindo organizadamente as cadeiras e mesas pelas ruas. O movimento de pessoas no castelo era feito mais à custa de quem nele trabalha do que de quem o visita. Lembro-me que foi uma sensação boa. Cruzar a porta principal e ir descobrindo cada rua e cada esquina. Desta vez foi uma descoberta diferente. Era fim de tarde. Hora em que o sol se começa a pôr, as primeiras luzes se acendem e os restaurantes se vão enchendo de turistas ao som da música que paira no ar. E havia festa.

Carcassonne - France (2007)
Decidimos não jantar no castelo e aproveitar para descer à cidade. Havia festa também. Depois de comermos seguímos em direcção a Biarritz onde chegámos já tarde. O J. ainda foi conhecer a noite desta cidade e eu conheci a sensação de dormir num carro de dois lugares, sem puder esticar as pernas e com o travão de mão a lembrar-me constantemente de onde estava. Apesar de tudo, quando o cansaço é muito, o poder dormir em qualquer lado e seja em que condições fôr, parece uma dádiva! Biarritiz é bonito às 7 da manhã.

Biarritz - France (2007)
Passámos ainda em San Sebastian e Salamanca antes de chegar a Portugal. Gosto das duas cidades. Na primeira já tinha estado uma vez e a segunda faz parte dos meus locais preferidos para escapadelas de fins-de-semana.
De todas as vezes que viajo de carro para o estrangeiro, quando volto, é da praxe parar na primeira área de serviço Portuguesa, para um café “FUERTE”! Esta não foi excepção. Depois foi chegar a casa e...descansar das férias. Para o ano há mais!

Wednesday, September 19, 2007

NUEVE
Barcelooooona!
A primeira coisa que fizémos foi encontrar um local para largar as malas e tomar um banho decente para depois partir à descoberta da cidade que seria a nossa casa por 2 dias. O Ibis, a cerca de 20min de Barcelona, foi o primeiro local que encontrámos e foi o escolhido. O estacionamento para o carro é gratuito e mesmo à porta páram autocarros regulares para a praça de Espanha a qualquer hora do dia ou noite. Não havia mais “contas” a fazer! Excepto o pessoal do hotel, a primeira conversa que tivémos com alguém de Barcelona chamava-se Francisco Jose Gimenez (não garanto que o nome esteja bem escrito), tinha 6 ou 7 anos e sofria claramente de hiperactividade! Durante os 10min que esperámos pelo bus, este miúdo conseguiu a proeza de estar sossegado cerca de 3seg. No restante tempo, trepava o poste e tocava com a mão no tecto da paragem do autocarro enquanto gritava “Francisco Jose Gimenez, Francisco Jose Gimenez”.
Quando chegámos à praça de Espanha ficámos espantados com a dimensão da mesma! Optámos por descer a avenida onde encontrámos o restaurante “Ana” sobre o qual só tenho uma coisa a dizer: Peixe ao sal! No fim da avenida, a arte de que gostamos voltou a mostrar das suas.

Barcelona - Spain (2007)

Mais à frente existiam muitos sem-abrigo espalhados pelos bancos de jardim que estavam colocados debaixo de árvores onde se escondiam centenas de ratos. Não pareciam incomodados. Nem com os ratos, nem com a nossa presença. Depois encontrámos o mar. Zona onde estavam os com-abrigo. Liam, cantavam, escreviam, conversavam. Por fim, La Rambla e o seu movimento, intenso a qualquer hora. Para quem sobe a rua, do lado direito, encontra-se a Plaça Reial, conhecida dos roteiros de viagens por possuir candeeiros em forma de árvore, desenhados por Gaudi quando ainda era um jovem arquitecto. Do lado esquerdo da Rambla, o obrigatório mercado La Boqueria (St. Josep) que visitaríamos no dia seguinte.
Barcelona - Spain (2007)

Por ser ainda cedo optámos por dar uma volta naquela que me pareceu a zona de Barcelona mais parecida com o Bairro Alto. Costumo fazer isto. Comparar zonas de cidades onde estive com o Bairro Alto. É mais forte que eu. Em Madrid, o Bairro Chueca. Em Roma, o Campo di Fiori. E em Barcelona, o Bairro Gótico. No entanto, no Bairro Alto Lisboeta, não é usual levarmos com um balde de água às 2 da manhã! Na mesma rua, mais à frente, outro grupo tinha sofrido do mesmo e ria. Rimos também. Eram horas de voltar ao hotel. E voltamos, em menos tempo que o esperado, graças ao senhor maluco que conduzia o autocarro. Voltaríamos a encontrá-lo na noite do dia seguinte. No mesmo autocarro e com a mesma pressa.
Gosto imenso do Ibis. Gosto dos quartos dos Ibis, das pessoas que trabalham nos Ibis, da localização dos Ibis e dos preços. Mas o que eu gosto mesmo muito no Ibis são os pequenos almoços! Às 9h30 estávamos de pé, na sala de pequenos almoços, naquele que seria para mim o melhor dia de todos os dias desta viagem. Depois do trajecto de autocarro até à Praça de Espanha (desta vez sem a alegria do Francisco), seguímos em direcção às Casas de Antoní Gaudí. A primeira delas, a Casa Battló (
www.casabatllo.es/), marca pela cor e fachada ondulante. Está decorada com mosaicos de vidro multicoloridos e placas de porcelana policromada e as varandas são feitas de pedra de Montjuïc que parece ter sido moldada à mão. Esta Casa, juntamente com a Casa Ametller e a Casa Lleó Morera, formam a chamada Ilha da Discórdia pois, apesar de estarem no mesmo quarteirão e apresentarem grande valor arquitectónico, são todas de estilos muito diferentes.


Barcelona - Spain (2007)

Mais à frente, no Passeio de Gràcia, a Casa Milà foi construída entre 1906 e 1910 para a família de igual nome, mas nem ela nem o público ficaram muito impressionados, pelo que foi apelidada de La Pedrera (http://www.lapedreraeducacio.org/flash.htm). Hoje em dia é muitas vezes referida como a maior escultura abstracta do mundo!

Barcelona - Spain (2007)

Deixando temporariamente Gaudí de parte, a Casa Terrades em plena Avenida Diagonal, foi desenhada por Puig i Cadalfach e é também conhecida por casa das pontas devido às agulhas no topo das suas seis torres.

Barcelona - Spain (2007)

Descendo a Diagonal chegamos ao edifício mais famoso de Barcelona, a Sagrada Família (http://www.sagradafamilia.org/cast/index.htm), que originalmente era suposto ser uma igreja modesta... Gaudí atribuiu a cada elemento da Sagrada Família um significado simbólico, deu um papel importante a alguns elementos da natureza, idealizou a construção de 12 torres para representar os 12 apóstolos e as suas 3 portas correspondem às 3 virtudes cristãs: Fé, Esperança e Caridade. A construção da Sagrada Família continua a desenrolar-se nos nossos dias, mais de um século depois do seu ínicio em 1882.


Barcelona - Spain (2007)

Perto, com vista para as torres, encontra-se um Starbucks Coffee. Vale a pena entrar, pedir um pseudo-café e descansar um pouco as pernas enquanto se observa a rua, se comenta o que se viu e o que falta ver e, em silêncio e de olhos fechados, se imagina por breves minutos como será viver na cidade de Gaudí.

Barcelona - Spain (2007)

Mas ainda não estava tudo. Para completar a Tour às obras de Gaudí, apanhámos o metro até ao Parque Güell. À saída do mesmo, esperáva-nos uma longa caminhada ajudada, no fim, por umas intermináveis escadas rolantes. Um viva a Jesse W. Reno e George H. Wheeler pela invenção deste extraordinário aparelho!

Barcelona - Spain (2007)

O Parque é simplesmente extraordinário! Se subirmos até à cruz, vale a pena descansar, outra vez, as pernas, enquanto se olha Barcelona. O prédio que se avista mais perto é ocupado e além dos graffitis que se encontram desenhados nas paredes pode ler-se: Okupa Y Resiste. Foi impossível não recordar, com muita saudade, um prédio ocupado onde estive quando visitei Torino pela primeira vez. Chama-se Askatasuna, liberdade em Basco, como canta a Banda Bassotti em “Un altro giorno d'amore”. Vale a pena ouvir.

Barcelona - Spain (2007)

Depois de passearmos um pouco pelo parque chegámos a um miradouro ao que o J. comenta “parece que estou dentro do filme Residência Espanhola”. E de facto parecia. Muito boa a sensação. A música que se ouvia tornava o ambiente ainda mais extraordinário e pela segunda vez no mesmo dia imaginei-me a viver numa cidade tão completa...que saudável inveja tua P.!

Barcelona - Spain (2007)

Bom, de volta ao metro e de volta à Rambla, primeiro para conhecer o mercado de St. Josep e depois para descer a rua ainda com luz natural. La Rambla é um pouco de tudo e ocupa-nos o tempo todo. Quase não conseguímos respirar para conseguir absorver tudo o que ela partilha connosco. Surpreende-nos a cada minuto e em cada esquina e quando pensamos não ser possível surpreender-nos mais, ela volta a revelar-se. Mais uma e outra vez. Rua de escritores (www.eduardomazo.com), dançarinos e músicos. Rua de tendas de recordações e de cafés/restaurantes. Rua de viajantes-que-ficam e de viajantes-que-passam. Rua de crianças, adolescentes, adultos e idosos. A rua que mais gostei de todas as ruas de todas as cidades em que estive.

Barcelona - Spain (2007)

E em frente...o mar. A azáfama de quem termina um dia de trabalho e a paz de quem se exercita a pé, de bicicleta ou em patins. Os casais de namorados nos bancos de jardim e na relva e os amigos que se sentam em roda a partilharem experiências. Seguímos junto ao mar e acabámos por jantar por ali mesmo, abdicando da visita ao Castelo Montjuïc.

Barcelona - Spain (2007)

À noite voltámos ao ambiente do Bairro Gótico. Sentamo-nos no chão e enquanto bebiamos uma cerveja - comprada ali mesmo na rua a uns senhores que as guardavam debaixo de tampões que existiam no passeio - iamos conversando, como costumamos fazer no nosso Bairro Alto, o verdadeiro.
Barcelona és um mundo e “no hace falta cambiarte nada” como canta Julieta Venegas em Limón y Sal (
http://www.youtube.com/watch?v=RC_1JjBGKkE)! Ficou a faltar o Castelo Montjuïc, o parque La Ciutatella, o museu de Miró e as obras de Picasso...pelo menos! Como se isso fosse necessário para lá querer voltar. Mais uma e outra vez.

Saturday, September 15, 2007

OCHO
Valência é muito grande. E para quem chega de madrugada e ainda procura um local para dormir, maior parece. Parques de campismo nem vê-los, embora se visse uma ou outra indicação de vez em quando mas não garanto que não fosse uma ilusão semelhante às miragens no deserto. Numa primeira tentativa estacionámos o carro para tentar dormir assim mesmo, mas não nos pareceu a melhor solução. À segunda lá demos com a praia! Existia ainda muita gente nas ruas. Pessoas que entravam e saiam de discotecas. Outras que conversavam junto à areia. Com os sacos-cama debaixo dos braços lá escolhemos O-Local-Perfeito para passar o pouco da noite que restava. Lembro-me de ter pensado que não iria conseguir adormecer ali e de ter acordado uma hora depois com o barulho do tractor que alisava a areia. Roguei algumas pragas mas voltei a adormecer mais uma hora. Depois passou o senhor encarregue do lixo. Mais pragas. E depois era dia. Decididamente já não havia condições. Depois do banho do J. nos chuveiros da praia e do pequeno almoço num café daquele que me pareceu o bairro mais pobre de Valência, fomos até ao centro.
Valência - Spain (2007)

Parámos no ponto de turismo para pedir um mapa daquela que é a terceira maior cidade espanhola e lá fomos caminhando pelas ruas em busca de tudo o que nos alimentasse, desta vez, a alma. E sem dúvida que não passamos fome: Valência é extraordinária.

Valência - Spain (2007)

Como palco da America’s Cup era obrigatório conhecer também essa parte da cidade. Mais moderna e voltada para o mar.

Valência - Spain (2007)

À saída, Valência despediu-se com arte. Daquela que gostamos.

Valência - Spain (2007)

Esperava-nos um percurso de cerca de 3h30 até Barcelona, mas por ser cedo decidimos parar em alguma localidade para um café. O nome Port Aventura não nos soava estranho e pareceu uma boa ideia sair da autoestrada nesta altura. A saída dá imediatamente acesso às bilheteiras para Port Aventura e afinal, o nome não nos soava estranho, por ser um dos maiores parques temáticos de Espanha (http://www.portaventura.es/). Continuámos, agora pela nacional, até à localidade mais próxima: Tarragona. A primeira sensação foi de uma cidade muito industrializada e sem grande interesse, mas à medida que ficávamos mais perto do centro histórico tudo à volta nos ia cativando. Afinal, Tarragona é destino de muitos turistas pela sua tradição histórica, artística e pelas suas praias.

Tarragona - Spain (2007)

Penso que não chegámos a beber o tal café e optámos antes por dar voltas de carro pela cidade como tentativa de absorver tudo o que conseguíssemos. Os meus óculos também gostaram tanto deste local que, sem se despedirem, decidiram ficar por lá a morar o resto da vida.

Tarragona - Spain (2007)

Tarragona é a cerca de 100km de Barcelona, duas cidades às quais faço questão de voltar para dizer mais do que um Hola!